Vôlei Futuro x Cruzeiro e a luta contra o preconceito

9 04 2011

Ter uma equipe mineira na final da Superliga dia 24 de abril em Belo Horizonte é uma tarefa que, nesse momento, cabe somente ao Cruzeiro. A equipe foi derrotada pelo Vôlei Futuro, na manhã deste sábado, empatando a série de playoffs em 1 a 1. O terceiro jogo será na casa dos mineiros, mas é importante destacar que o fator casa não é tudo, para chegar as finais o Cruzeiro terá que ser impecável e não dar espaços pois a equipe paulista tem qualidade e está com os brios mexidos, o que aumenta a vontade, um fator que pode ser determinante.

Divulgação CBVFoi um ótimo jogo, dois bons levantadores, ótimos opostos e times bastante técnicos. Mas o que realmente marcou a partida foi a homenagem feita pela equipe e torcida de Araçatuba ao do Volêi Futuro, Michael. Todos da equipe paulista entraram com uma camisa rosa com o nome e o número do jogador, além disso a camisa do líbero Mário Júnior tinha as cores do arco-iris e os torcedores entraram com batedores cor de rosa com o nome do jogador, além de faixas contra o preconceito. Uma bela iniciativa, mas talvez exagerada. Antes que me joguem pedras, explico: O preconceito nos estádios, ginásios ou em qualquer outro ambiente, é inaceitável e tem que ser repreendido e punido. Mas essa vigilância e apoio tem que acontecer a todo momento. O caso envolvendo o jogador Michael teve grande repercussão, mas não devemos ser hipócritas, o jogador de futebol Richarlyson sofre a mesma coisa a todo momento e fingimos que nada acontece. Toda essa comoção tem que ir além de uma jogada de marketing, que no final acaba sendo ‘boa’  para a equipe, dá visibilidade e faz com as pessoas martirizem o adversário e fiquem do lado do atacado. Essa comoção tem que fazer parte de uma ampla ação de todas as equipes envolvidas nas diversas modalidades esportivas em prol do respeito nos ginásios/estádios. Essa ação não necessariamente obriga a todos usarem rosa em todas as partidas, mas simplesmente entender em todos os âmbitos qual o lugar do outro e como não invadi-lo e desrespeitá-lo.

Com relação a equipe do Cruzeiro acho importante dizer que o time em si, jogadores e comissão técnica não tem culpa pelo acontecido. Mas a instituição Cruzeiro reagiu de modo errado diante da situação. Não poderiam ter ignorado o fato dizendo que a equipe do Vôlei Futuro queria tumultuar e até mesmo dizer que não aconteceu baseado no fato de o juiz não ter relatado na súmula a atitude dos torcedores. Teria sido uma saída melhor ter assumido, pedido desculpas e reprimido a torcida. Fazendo, inclusive uma campanha contra o preconceito. As duas equipes deveriam estar juntas nisso.Este é um problema da sociedade e não exclusivo de uma torcida. Essa situação lamentável tem que servir para mudanças, senão aconteceu em vão.

O jogo que vai decidir quem enfrenta o SESI na final será na próxima sexta-feira (15). Seguimos observando a Superliga.


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